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quinta-feira, 7 de março de 2013

Álcool na adolescência é influenciado pela família, afirma pesquisa da USP



O estudo acompanhou 22 membros de dez famílias, entre eles, 11 adolescentes, entre 14 e 19 anos, que consumiam álcool


Positiva ou negativamente, adolescentes são influenciados por seus familiares, dentro de suas próprias casas, em relação ao abuso do álcool. Essa é a conclusão de recente pesquisa desenvolvida pela enfermeira Betânia da Mata Ribeiro Gomes, em seu trabalho de pós-graduação apresentado à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.
A pesquisadora observou e entrevistou em seus domicílios, 22 membros de dez famílias, entre eles, 11 adolescentes de ambos os sexos, entre 14 e 19 anos, que consumiam álcool. O estudo aconteceu na Unidade de Saúde da Família EmocyKrause, localizada em Recife (Pernambuco), entre julho de 2010 e agosto de 2011.
Foram alvo do estudo apenas os familiares que moravam com o adolescente e tinham um laço mais próximo, como, pais, irmãos, tios. Em cada família, o convite se estendeu aos familiares que estavam presentes no primeiro encontro, realizado pelo estudo. " E no decorrer da pesquisa, a interação e os discursos indicaram a necessidade ou não de incluir outros familiares" , comenta Betânia, que se ateve a temas como: estrutura, desenvolvimento e funcionamento das famílias; crenças que podem influenciar o consumo de álcool; as interações familiares que protegem ou que expõem os adolescentes ao consumo ou abuso de álcool; e o sentido da religião.
A maioria dos entrevistados possuía renda menor que um salário mínimo. Alguns recebiam ajuda do governo e não tinham completado seus estudos, além de presenciar, em suas próprias casas, a prática do uso do álcool. Muitos adolescentes ainda presenciaram separações de seus pais ou morte de algum deles devido ao consumo de bebida alcoólica. Quanto ao relacionamento em família, Betânia verificou que a maioria sofria com desentendimentos, desafetos, problemas de comunicação, agressão, conflitos, violência e falta de interação.
Prazer e prejuízos
Para a pesquisadora, a decisão pelo consumo de bebida alcoólica foi associada ao prazer e diversão, principalmente relacionada às músicas, as quais, segundo ela, estão no contexto de vida desses adolescentes, incentivando o consumo. "É uma válvula de escape para as dificuldades e problemas familiares do cotidiano" .
Betânia percebeu que, mesmo com sentimentos de alívio, relaxamento, distração e dos momentos de lazer, os adolescentes não ignoravam os prejuízos do uso abusivo da bebida alcoólica, principalmente porque presenciaram os problemas que a bebida causou em seus próprios domicílios.
As famílias, apesar de não se relacionarem adequadamente com os adolescentes, apoiaram seus membros e mantiveram esperança por meio de motivação ou da religião, pensando em um futuro melhor. " A religião pode favorecer o sentimento de esperança e, com ela, o gosto pela vida" , afirma. Ela notou ainda que os adolescentes se preocupavam em manter viva a motivação para uma vida melhor, para a conquista de trabalho qualificado e da casa própria, além de tentar realizar os sonhos que não foram possíveis para seus pais.
Betânia concluiu que os familiares influenciam os adolescentes de forma positiva e negativa quanto ao uso e abuso do álcool. " A estrutura e composição da família, o padrão de interação familiar, a comunicação entre seus membros, a religião e a esperança são componentes que se articulam diretamente com a prática do consumo de álcool pelos adolescentes" .
A tese A influência da família no consumo de álcool na adolescência foi orientada pela professora Lucila Castanheira Nascimento e defendida em setembro de 2012, na EERP.

FONTE: R7

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Estudo liga estresse na adolescência a distúrbio mental na vida adulta

Cientistas submeteram camundongos jovens a isolamento.
Expressão de gene de roedor propenso a transtorno teve mudança.

Camundongos: cientistas descobrem relação entre estresse na adolescencia edoenças mentais (Foto: Divulgação/S. Karaki e F.Tronche) 
Camundongos foram submetidos a isolamento
durante adolescência e depois retornaram ao grupo
(Foto: Divulgação/S. Karaki e F.Tronche)
 
Cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, encontraram uma ligação entre o estresse na adolescência e transtorno mental na idade adulta em camundongos com predisposição genética para esse tipo de problema.

A descoberta, publicada na revista “Science” desta quinta-feira (17), pode trazer implicações para a prevenção e tratamento de esquizofrenia, depressão e outras doenças mentais.
"Nós descobrimos que, em camundongos, o estresse na adolescência pode afetar a expressão de um gene que codifica um neurotransmissor, relacionado à função mental e a doenças psiquiátricas", explicou o líder do estudo Akira Sawa, professor de psiquiatria da universidade.
Durante o estudo, o professor e sua equipe isolaram camundongos saudáveis e com predisposição genética para desenvolver doença mental durante três semanas – período equivalente à adolescência do roedor.
Os resultados revelam que o isolamento não provocou qualquer efeito sobre o comportamento dos camundongos saudáveis. Já os animais com predisposição genética para transtorno exibiram comportamentos associados às doenças mentais, como a hiperatividade.
Além disso, quando os roedores com fatores de risco genético foram devolvidos ao convívio dos demais, eles continuaram apresentando comportamentos anormais. O fato sugere que os efeitos do isolamento duraram até o equivalente à idade adulta.

Dopamina
Os resultados da pesquisa revelam não só a presença de níveis elevados de cortisol (conhecido como o hormônio do estresse porque é mais produzido em situações estressantes), nos animais com transtornos, mas também de níveis significativamente mais baixos do neurotransmissor dopamina na região do cérebro responsável por funções como controle emocional e cognição.
Para determinar se as taxas de cortisol influenciaram os níveis de dopamina no cérebro e os padrões comportamentais nos camundongos adultos com transtornos, os pesquisadores deram aos animais um composto chamado de RU486, conhecido por bloquear as células de recepção de cortisol. O resultado foi que todos os sintomas desapareceram.
Para entender o motivo da melhora, a equipe de cientistas se debruçou sobre o gene que produz a enzima que regula os níveis de dopamina. Este gene teve seu funcionamento alterado, inibindo-o de realizar sua função e, com isso, deixando a dopamina em níveis baixos demais.
A descoberta aponta para a necessidade de um melhor atendimento preventivo aos adolescentes com histórico de doenças mentais na família, incluindo esforços para protegê-los de situações que provoquem estresse, acreditam os pesquisadores.
Além disso, a compreensão da "cascata de eventos" provocada pelo nível de cortisol elevado pode levar ao desenvolvimento de novos compostos para tratar distúrbios psiquiátricos, com menos efeitos colaterais do que o RU486.

FONTE: Revista Science - G1 SP

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pesando apenas 25 kg, anoréxica é vista como modelo por adolescentes

DISTÚRBIOS ALIMENTARES

Valéria Levitin, de 39 anos, recebe cartas de meninas que gostariam de ter a mesma aparência

Valéria lembra que sua mãe restringia sua alimentação quando era jovem com medo de ela engordar.

Pesando apenas 25 kg, a britânica Valéria Levitin, de 39 anos, se considera a mulher mais magra do mundo. Mas, sua aparência serve como uma advertência sobre os perigos dos distúrbios alimentares.
O mais preocupante dessa história é que Valéria, que se mudou com a mãe para Chicago quando tinha 16 anos, recebe cartas de meninas que gostariam de "copiar" sua aparência esquelética, segundo o tabloide The Sun.
— Todas as cartas que recebi são de meninas com cerca de 20 anos, que me veem como uma espécie de inspiração.
A mulher, que desenvolveu a anorexia durante a adolescência, foi escolhida para falar sobre como a doença afetou sua vida e como ela luta para vencê-la.
— Eu quero que os jovens tenham uma vida feliz e saudável. A anorexia me fez ficar sozinha.
Ela acredita que as críticas da mãe contribuíram para o surgimento da doença.
— Minha mãe tinha medo que eu engordasse. Por essa razão, ela restringia minha alimentação.
Hoje, sua dieta inclui apenas frutas, uma pequena porção de carne e legumes. Muitos alimentos precisam ser evitados, pois seu corpo não consegue digeri-los corretamente.
Além disso, Valéria precisa tomar medicamentos para tratar os hematomas de seu corpo e, também, para fortalecer os ossos.
Fonte: R7