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domingo, 7 de outubro de 2012

Estudo abre novo caminho no trabalho de descoberta de vacina contra a aids


Foto: Corbis Images
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, abriu novo caminho no trabalho de descoberta de uma vacina contra a aids. A pesquisa teve como base as pessoas que possuem o vírus da doença, mas que por algum motivo impedem que ele se reproduza no organismo, embora possam infectar outras pessoas. Uma em cada trezentas pessoas no mundo infectadas pelo vírus HIV tem essa característica genética que impede o desenvolvimento da aids. Elas são chamadas de controladoras de elite. A diferença desse estudo para outros é que agora os pesquisadores estão trabalhando em cima das células, e não de anticorpos.

Participam do estudo quatro pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde. Eles usaram a vacina contra a febre amarela, desenvolvida no Brasil, como base para criar uma vacina contra a aids em macacos. Quase cem macacos foram vacinados e expostos ao vírus, mas a aids não se desenvolveu. Essa vacina estimulou a produção de células que matam os glóbulos brancos contaminados com o vírus da aids, evitando que ele se reproduza.
É o que explica a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz e uma das colaboradoras do estudo, Myrna Bonaldo. ”Essas células reconhecem a célula na qual o vírus está crescendo, proliferando e atacando essas células. É como se ela estivesse destruindo o mal pela raiz,  atacando a fabricação do vírus. Então ela reconhece qual é a célula que está infectada pelo SIV ou pelo HIV. SIV no caso do macaco e o HIV no caso do homem, e ela ataca especificamente essa célula. Então a carga viral diminui, e isso implica em que a pessoa não desenvolva a doença aids, apesar dela ser portadora do vírus. Mas isso é importante porque ela não vai em um quadro da doença.”
O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, conta que o estudo está em fase inicial e que uma vacina contra aids poderá se tornar realidade talvez só daqui a dez anos. Ele reconhece a importância do estudo, mas diz que essa possível vacina não vai eliminar a doença e, sim, o desenvolvimento da aids em pessoas infectadas com HIV.
Por isso, Greco lembra da importância da prevenção. “Em toda conversa científica, queremos saber quando vamos ter uma vacina eficaz, e quase sempre o número é mágico: daqui a dez anos. Mas já se fala nisso há muitos anos. Isso só mostra para nós que hoje a nossa vacina é a prevenção. Se nós pensarmos que vamos controlar a infecção esperando que uma bala mágica venha, que seja medicamentosa ou seja uma vacina, nós vamos continuar correndo risco. Lembrando que o HIV/Aids não é a única doença sexualmente transmissível. Mesmo que a controlemos, ainda tem a hepatite, HPV, sífilis. Todas elas doenças graves que podem trazer problemas. Nós precisamos continuar sempre discutindo a prevenção”, ressalta.
Além disso, o diagnóstico precoce é extremamente importante.  ”Nós continuamos, cada vez mais, investindo no diagnóstico. É importantíssimo a pessoa saber se está infectada ou não para facilitar o tratamento e a eficácia dos medicamentos”, destaca o diretor. Estima-se que existem hoje no Brasil cerca de 630 mil pessoas vivendo com o HIV, o vírus da aids. Dessas, 255 mil nunca teriam feito o teste e por isso não conhecem sua sorologia. E o diagnóstico é fundamental para o controle da epidemia.
Desde 2003, o Ministério da Saúde realiza uma estratégia de mobilização para incentivo ao diagnóstico precoce: o Fique Sabendo. Ele atua em Unidades Básicas de Saúde, Centros de Testagem e Aconselhamento e ambulatórios ou em locais como praças, feiras e eventos específicos. Em 2012, o Fique Sabendo começou, também, a oferecer medicamento à pessoa no momento em que tem diagnóstico positivo para sífilis.
HIV e aids - HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação.
Já a aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda fazer o teste sempre que passar por alguma situação de risco e usar sempre o preservativo.
FONTE:Mônica Plaza / Blog da Saúde e Amanda Mendes / Web Rádio Saúde

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alíquota de ICMS de remédios do Farmácia Popular pode ser zerada




A partir de setembro, os medicamentos contra hipertensão, diabetes e asma distribuídos gratuitamente pelo programa federal Farmácia Popular poderão ter zeradas suas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que barateará seu custo de produção pela indústria farmacêutica e de aquisição pela administração pública. Os Ministérios da Fazenda e da Saúde formalizaram o pedido de eliminação da tributação estadual desses remédios ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão decisório que reúne secretários estaduais de Fazenda do país.
De acordo com Antônio Britto, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o pleito – alvo de negociações desde o ano passado entre o ministro Alexandre Padilha e governadores – foi bem avaliado por 25 Estados e pelo Distrito Federal. Ceará foi o único que ainda não se posicionou sobre o assunto, mas deverá ter uma posição afirmativa na próxima reunião do Confaz, em 13 de setembro. Segundo Britto, o fim dos impostos estaduais para os remédios do Farmácia Popular é um primeiro passo da briga travada pelo setor privado contra a alta tributação sobre medicamentos no país, cuja taxa média nacional beira os 35%.
Além dos nossos outros esforços pela redução dos impostos para medicamentos, com o objetivo de aumentar o acesso à saúde no país, vamos pressionar o Ceará para também dar esse passo, afirmou Britto durante o seminário Medicamentos & Tributos, organizado ontem pelo Valor e pela Interfarma, em São Paulo. Ausente do evento, o secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Benevides Filho, disse, por telefone que o Estado pratica desde 2007, como política pública permanente, desoneração tributária para vários setores, incluindo o de medicamentos.
Nós demos parecer favorável ao convênio do Farmácia Popular no Confaz, mas existe uma outra demanda no mesmo processo tratando da desoneração de quatro novos remédios para câncer. Só votaremos a favor quando a indústria nos certificar que haverá redução do preço final do remédio. Ainda não temos essa garantia, explicou Benevides Filho.
Manuel dos Anjos Teixeira, secretário do Confaz, disse que há pedido de urgência por parte do Ministério da Saúde para o conselho deliberar sobre o tema, que está na pauta digital do Confaz. Liderada pela Interfarma, a indústria farmacêutica está retomando uma luta antiga pela desoneração tributária dos remédios no país. A estratégia inclui apoiar projetos de lei já em tramitação no Congresso Nacional e o apoio a uma frente parlamentar que assumirá a bandeira do corte de impostos dos remédios.
As principais reivindicações giram em torno de um projeto de lei que prevê a eliminação de qualquer tributo sobre medicamentos de uso humano e outro que propõe a redução e padronização da cobrança do ICMS para uma faixa de 7% – a maior parte dos Estados adota alíquota de 17% sobre medicamentos. Durante o seminário, o secretário da Fazenda do Paraná, Luiz Carlos Hauly, apresentou a experiência paranaense com redução da alíquota do setor farmacêutico. Em três anos, o ICMS cobrado do setor, que representa 5% da arrecadação estadual, caiu de 18% para 12%. Segundo Hauly, a renúncia fiscal foi coberta por aumento da arrecadação e aumento de alíquotas dos setores de energia, combustíveis, telecomunicações e cigarros e bebidas, responsáveis por dois terços da receita.
Com a medida, o preço do remédio caiu 7% para o consumidor, disse. No Ceará, a intensificação da substituição tributária, que passou a cobrar o ICMS antecipadamente a partir de 2007, permitiu ao Estado reduzir as alíquotas da indústria farmacêutica de 17% para um média de 9,5%. Mesmo assim, o secretário Mauro Benevides Filho, diz que nem sempre o setor transfere o corte de tributo para o consumidor. A indústria às vezes usa o argumento do Farmácia Popular, um programa social para a população mais pobre, para encobrir a discussão [desonerações já feitas]. Nesse caso só diminuirei o ICMS se houver garantir de queda de preço na ponta, criticou o cearense.
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Matéria retirada do Jornal Valor Econômico em 21/08/2012