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terça-feira, 7 de maio de 2013

CFM diz que é temerária a contratação de médicos estrangeiros para atender moradores de áreas carentes



O Conselho Federal de Medicina (CFM) apresentou hoje (7) os resultados da revalidação de diplomas de médicos formados em Cuba, para contestar a proposta do governo brasileiro de trazer profissionais cubanos para trabalhar em regiões carentes do país.
Os números mostram que, dos 182 médicos formados em Cuba, que fizeram o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos em 2012, apenas 20 foram aprovados. O exame do Ministério da Educação é necessário para o estrangeiro exercer a profissão no Brasil.
O vice-presidente do CFM, Vital Corrêa, demonstrou preocupação com a possível contratação de médicos formados no exterior sem que eles passem por exame de avaliação para atestar a qualidade da formação profissional. Segundo ele, o CFM não é contra a atuação de médicos formados no exterior desde que eles passem por essa avaliação.
“Se os médicos formados no exterior vem exercer a profissão sem nenhum critério de avaliação de suas qualificações, isso é temerário. Naturalmente, traz à população grandes riscos, principalmente a parte da população mais carente. Isso não se configura como uma medida legal, nem justa”, disse.
Dos 26 médicos com diploma espanhol que fizeram o exame em 2012, cinco foram aprovados. Dos oito portugueses inscritos, três foram aprovados. Hoje, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que governo brasileiro estuda atrair também profissionais destes dois países para trabalhar nas regiões mais carentes do país.
Sobre as críticas do CFM, Padilha destacou que o governo descartou a validação automática de diplomas e a contratação de médicos de países que tenham menos profissionais que o Brasil, como é o caso da Bolívia e do Paraguai. 
 

Fonte: Agência Brasil - Beto Coura

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Estudo confirma desigualdade na distribuição dos médicos pelo país; média é de 2 profissionais por 1.000 habitantes




O Brasil nunca teve tantos médicos. Apesar disso, eles continuam concentrados em certas regiões e estruturas de atendimento. Essas são as conclusões da pesquisa Demografia Médica No Brasil 2: Cenários e indicadores de distribuição, divulgada nesta segunda-feira (18) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

DISTRIBUIÇÃO DE MÉDICOS REGISTRADOS NO CFM POR 1.000 HABITANTES NAS CAPITAIS

Vitória11,61
Porto Alegre8,73
Florianópolis7,72
Belo Horizonte6,61
Recife6,27
Rio de Janeiro6,18
Curitiba5,71
Goiânia5,42
João Pessoa5,22
Aracaju4,95
São Paulo4,48
Natal4,21
Salvador4,00
Maceió3,91
Teresina3,85
Cuiabá3,60
Belém3,44
Fortaleza3,16
Campo Grande3,1
Palmas2,89
São Luís2,88
Brasília2,52
Porto Velho2,36
Boa Vista2,05
Manaus2,04
Rio Branco1,91
Macapá1,38
O estudo, coordenado pelo médico Mario Scheffer, pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP), traça o perfil da população médica e aponta os motivos da má distribuição de profissionais pelo país.
Dois a cada 1.000 habitantes
O número de médicos em atividade no Brasil chegou a 388.015 em outubro de 2012, segundo o CFM. Isso significa que o país tem 2 profissionais por grupo de 1.000 habitantes. O dado também confirma uma tendência de crescimento da categoria que já perdura 40 anos.
Entre 1970, quando havia 58.994 profissionais, e o último trimestre de 2012, o número de médicos saltou 557,72%. O percentual équase seis vezes maior que o do crescimento da população, que em cinco décadas aumentou 101,84.
Os motivos do aumento do número de profissionais se explica pela abertura de muitos cursos de medicina, pelo aumento de novos registros (mais de 4% ao ano), por mais entradas que saídas de profissionais do mercado de trabalho, e pela longevidade profissional (alta média de anos trabalhados).
A diferença entre saída e a entrada de médicos no mercado forma um contingente de 6.000 a 8.000 novos médicos a cada ano, segundo a pesquisa.
Desequilíbrio entre regiões
Duas das grandes regiões do país estão abaixo do índice nacional: a Região Norte, com 1,01 por 1.000 habitantes, e a Nordeste, onde essa razão é de 1,23. Na melhor posição está o Sudeste, com razão de 2,67, seguido pelo Sul, com 2,09, e pelo Centro-Oeste, com 2,05.
As diferenças aumentam quando se olha os números por unidade da Federação. O Distrito Federal lidera o ranking, com uma razão de 4,09 médicos por 1.000 habitantes; seguido pelo Rio de Janeiro, com 3,62; e São Paulo, com razão de 2,64.
Outros três Estados têm índices superiores à média nacional: Rio Grande do Sul (2,37), Espírito Santo (2,17) e Minas Gerais (2,04).
Na outra ponta (com razão inferior a 1,5) estão 16 Estados, todos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Com menos de 1 médico por 1.000  habitantes, aparecem Amapá (0,95), Pará (0,84) e Maranhão (0,71) - índices comparáveis a países africanos.
As cidades de maior porte também concentram a maioria dos médicos brasileiros: nove capitais têm mais de 5 médicos por 1.000 habitantes. O número de médicos nas capitais, por sinal, chega a ser quatro vezes maior que no interior dos Estados.
Vitória, por exemplo, tem 11,61 por 1.000 habitantes – a maior concentração do Sudeste e também nacional. Por outro lado, o conjunto de cidades do Espírito Santo tem razão de 2,17.
Ainda no Sudeste, a cidade de São Paulo aparece proporcionalmente com a menor razão entre as capitais, com 4,48 médicos por 1.000 moradores.
Poucos no SUS
Os dados analisados no segundo volume do estudo também sugerem a existência de um número insuficiente de profissionais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
As informações fornecidas pelo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) identificaram 215.640 médicos que atuam em serviços públicos municipais, estaduais e federais. O número representa 55,5% do total de 388.015 médicos ativos registrados nos Conselhos Regionais de Medicina.   
Nos dados de médicos do SUS, o estudo traz ressalvas: há falhas na alimentação das bases e parte dos médicos em regimes de plantão e terceirizados podem não constar do cadastro nacional, subestimando o número de profissionais que trabalham no SUS.
Formados no exterior
São Paulo é de longe a cidade que concentra o maior número de médicos formados no exterior. Do total de 6.980 profissionais com estas características e que possuem CRM, 16,30% têm endereço de domicílio ou de trabalho na Capital. Outros 836 estão no interior paulista.

Faculdade não fixa médico, 
Da mesma forma que os médicos brasileiros em geral, os profissionais diplomados no exterior preferem trabalhar e residir nos grandes centros. Mas alguns Estados fogem à regra. É o caso da Bahia, onde há registro de 467 profissionais formados em outros países, sendo que 75% deles residem fora de Salvador, embora o estudo não revele se estes profissionais estão, de fato, em municípios mais remotos do Estado ou em distritos que envolvem a capital.
Do universo pesquisado, 107.114 médicos se graduaram em local diferente daquele onde nasceu. Nesse grupo, apenas 36,8% retornaram ao município de onde saíram. As capitais dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, juntas, são responsáveis por cerca de um terço desse percentual de retorno.
Entre 1980 e 1989, por exemplo, 57% dos profissionais formados atuavam nas capitais e os outros 43% no interior dos estados. Na década seguinte, o percentual de médicos nas capitais se manteve o mesmo e, entre 2000 e 2009, subiu para 59,4%.
"Pode ser um indicador de que a simples abertura de mais escolas e mais vagas não basta para reduzir as desigualdades regionais em locais de baixa concentração de médicos. Muitas das novas escolas provavelmente se transformaram em ´repúblicas de estudantes´, com a maioria de seus graduandos migrando em direção a outros centros, assim que se forma", aponta o estudo. 
O documento – disponível no site do CFM (http://www.portalmedico.org.br) – será encaminhado às lideranças do movimento médico, parlamentares, gestores públicos e privados, especialistas em saúde, ensino e trabalho. Os Conselhos de Medicina pretendem fazer a entrega formal dos resultados aos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha.
FONTE: UOL